9 de abril de 2013

Afinal, o que é cineclube?


Vou aproveitar a mensagem do Rafa na lista de discussão do Cineclube Darcy Ribeiro e sua manifestação de estranheza quanto a um evento que tem cara de atividade cineclubista, mas não é, para resumir algumas ideias sobre nossa atividade e nossos interesses.
A programação “Em cena — ‘As aventuras de Pi’” da Associação Palas Athena, de fato, é um “curso” pago que só acontecerá em determinado dia do mês de abril. Aos interessados recomenda-se assistir o filme antes da “discussão e abordagem” proporcionada por um “especialista”. Com isso, a duração do evento se reduz para 2h (o filme tem 2h 7min de duração). Isso não é atividade cineclubista.
Cineclube, para resumir, é a forma coletiva e democrática de organização associativa do público consciente em torno da obra de arte cinematográfica. O que distingue um cineclube de outras formas de organização?

Definição histórica

Há uma definição de cineclube que foi desenvolvida ao longo de 100 anos no mundo inteiro e, no Brasil, chegou a ser reconhecida, graças às gestões da organização cineclubista nacional, pela Instrução Normativa nº 63, de 2 de outubro de 2007, da Agência Nacional de Cinema (Ancine). Segundo essa definição, o cineclube é uma associação de pessoas democraticamente dirigida, sem fins lucrativos e com um compromisso ético e estético com a arte cinematográfica, em particular com o cinema nacional. Entre nós, essa configuração é regida pela última versão do Código Civil Brasileiro.
Então, o cineclube é uma associação de pessoas democraticamente dirigida. Isso significa, em primeiro lugar, que entidades, ainda que representadas por pessoas, não devem fazer parte do cineclube. Não teria sentido incluir como associados de um cineclube empresas (produtoras, distribuidoras, exibidoras ou conservadoras de filmes, por exemplo), públicas ou privadas. “Democraticamente dirigida” significa ter um projeto continuado de atividades debatido por todos e deliberado pela maioria dos associados (em assembleia geral), um grupo de associados (que pode ser denominado “comissão diretora”, como preveem, por exemplo, os estatutos do Cineclube Darcy Ribeiro aprovados pela sua assembleia de fundação realizada em 28 de outubro de 2005) encarregado de pôr em prática esse projeto e outro grupo (“conselho fiscal”, no Cineclube Darcy Ribeiro) encarregado de fiscalizar as atividades do primeiro; esses associados com funções específicas devem ter mandato e condições de recondução ao cargo estatutariamente fixados. Não estamos falando, é óbvio, dos participantes de um “curso” que dura apenas duas horas.
No ambiente do legítimo cineclubismo, denominamos a construção de uma estrutura como essa de “organizar o público”, pois os associados dos cineclubes constituem a parte mais consciente, criativa e crítica dos espectadores de cinema. Isso é diferente de “formação de público” ou “formação de plateias”, em que grupos desorganizados de espectadores são condicionados a presenciar de maneira bem comportada, alienada e inconsequente a programas definidos por “curadorias” autorizadas e dirigistas, mas sempre alheias à comunidade cineclubista. Por isso, os autênticos cineclubes podem reclamar o papel social de representantes do público de cinema e fazer valer a Carta dos Direitos do Público aprovada pela Federação Internacional de Cineclubes em 18 de setembro de 1987.

Sustentabilidade

“Sem fins lucrativos”, como todos sabem, significa que na entidade não pode haver apropriação individual de eventuais excedentes dos recursos obtidos pelos meios estatutariamente fixados, depois de abatidas as despesas. Isso não quer dizer que o cineclube é uma ilha de gratuidade em meio a um oceano de atividades econômicas, muitas das quais dirigidas com o objetivo exclusivo de auferir lucros. O funcionamento continuado de qualquer cineclube sempre acarreta mais ou menos gastos, com equipamentos e/ou sua manutenção, materiais de consumo, locações, etc. 
A prática centenária do cineclubismo mostra que, para preservar a independência da estrutura cineclubista associativa e democrática, é importante que os associados assumam coletivamente esses encargos (por meio do pagamento de mensalidades, taxas de manutenção ou outras formas de contribuição voluntária) ou a obtenção de recursos junto a patrocinadores, parceiros, etc. Nessas condições, práticas alienantes e alienadas como “crowdfunding” nada acrescentam, muito pelo contrário, à prática cineclubista; a adesão dos cineclubes ao sistema de “vale cultura” — que diz respeito às relações entre patrões e empregados, de um lado, e ao financiamento oficial à produção e à distribuição artística, por outro — deve ser objeto de amplos debates e reflexões.

O debate indefectível

Finalmente, o compromisso ético e estético com o cinema, especialmente o nacional, envolve atitudes, escolhas e manifestações coletivas. A primeira delas é o indispensável debate após a exibição dos filmes (que deve ser feita para todos, ao mesmo tempo e no mesmo local, para que de fato possa ser considerada uma experiência coletiva). O indefectível debate — livre, aberto, sobre todos os temas que o filme possa ter suscitado, com a participação de todos —  é a marca característica da atividade cineclubista. (Obviamente, há outras tarefas encontradiças nos cineclubes: redação e divulgação de textos — resenhas, fichas técnicas, críticas mais ou menos especializadas, etc. —, mostras, seminários, encontros, participação em entidades representativas, realização cinematográfica e, hoje, videográfica, etc.) 
Mas o fato de discutir um filme em grupo e em dada ocasião não configura cineclube ou atividade cineclubista. Não existe “sessão cineclubista” isolada no tempo e no espaço. Nem “realização de um cineclube” em meio a outras atividades, numa comemoração qualquer. (Frank Ferreira)

3 de abril de 2013

Nossa próxima atração: "Bagatela", de Clara Ramos, em 6 de abril de 2013


CINECLUBE DARCY RIBEIRO apresenta Bagatela (2008, Brasil, 53 min, cor)
Direção: Clara Ramos. Roteiro: Clara Ramos. Documentário, coprodução de Clara Ramos, Polo de Imagem, Fundação Padre Anchieta (TV Cultura).



Preso por uma bagatela

Em um país de desvios financeiros milionários e CPIs que não resultam em prisão, um trabalhador que tenta levar para casa um frango que foi jogado no lixo vai para a cadeia. Afinal, o sistema penal foi construído para punir quem?
No Direito Penal, bagatela significa insignificância. No documentário “Bagatela”, de Clara Ramos, são conhecidas as histórias de mulheres presas por pequenos furtos, além da opinião de pessoas diretamente ligadas ao sistema penal, como os juízes de São Paulo Vico Mañas, Marcelo Semer e Airton Vieira.

Pequenos mesmo

No filme, o espectador entra em contato com casos como o de Sueli, que ficou dois anos na prisão por ter roubado um queijo e duas bolachas. Por sua vez, Maria Aparecida foi presa por furtar xampu e condicionador. Ela tem problemas mentais e sofreu agressões na prisão. São essas as causas às quais a advogada Sonia Drigo, inspiração para o documentário, se dedica gratuitamente. A advogada e a diretora do filme se conheceram em 2005, durante a gravação de outro projeto.
De acordo com Clara Ramos, a intenção é expor uma série de opiniões diferentes. No documentário, é possível ver críticas sobre o excesso de punição em situações singelas como essa, já que isso ajuda também a reforçar o processo de criminalização da pobreza. Ao mesmo tempo, opiniões completamente favoráveis a esse tipo de pena são exibidas, deixando que o espectador tire suas próprias conclusões (extraído de www.canalibase.org.br/o-principio-da-bagatela).


CINECLUBE DARCY RIBEIRO
Depois de um grande filme, sempre um bom debate
Debatedores convidado: Clara Ramos, diretora do documentário, e a advogada Sônia Drigo, uma das entrevistadas

Data: sábado, dia 6 de abril de 2013
Hora: 14h
Local: Sala Florestan Fernandes do Casarão (r. General Jardim, 522, próximo à estação República do metrô)

18 de março de 2013

Nossa próxima atração: "Crash — Estranhos prazeres", em 23/3/13


CINECLUBE DARCY RIBEIRO apresenta Crash — Estranhos prazeres (Crash, 1996, Canadá/Reino Unido, 100 min, cor)Direção: David Cronenberg. Roteiro: David Cronenberg. Fotografia: Peter Suschitzky. Montagem: Ronald Sanders. Elenco: James Spader, Holly Hunter, Rosanna Arquette, Deborah Kara Unger e outros.



Para perdoar nossos próprios pecados


“Todos os principais personagens de ‘Crash’ são desesperadamente fascinados por uma conexão entre erotismo e acidentes automobilísticos.
Mas é óbvio que não há tal conexão. Alguém que fique excitado ao entrar numa contramão a 100 quilômetros por hora é alguém que não está atento ao tráfego. Até os sadomasoquistas precisam de certo grau de controle. A ideia de buscar deliberadamente a morte em um carro acelerado não atrai ninguém; quem o faz, busca o suicídio, não o êxtase.
‘Crash’ mostra personagens fascinados por um fetiche sexual que, de fato, não é de ninguém. Cronenberg fez um filme que é pornográfico na forma, mas não no resultado. Basta substituir os carros, as cicatrizes, as muletas, o sangue coagulado e as feridas pelos adereços próprios dos filmes de sexo para se ter um filme pornô. Mas ‘Crash’ é tudo, menos pornográfico: trata da mente humana, da forma como somos escravizados pelas coisas especiais que nos excitam e nos perdoamos nossos próprios pecados.

Quando o reitor de uma universidade faz ligaçoes telefônicas depravadas, quando um astro do cinema ou um pastor da TV pegam uma prostituta na zona do meretrício, perguntamos: o que esses caras estão pensando? A resposta é que estão pensando: a) ‘Eu quero fazer isso’; e b) ‘Eu consigo fazer isso.’ ‘Crash’ é um filme que entende esse tipo de pensamento. Um dos personagens fala de ‘uma psicopatologia benévola que nos acena convidativamente’. É um filme estranho e introspectivo sobre a compulsão sexual humana. Ao eliminar expressamente tudo que qualquer espectador possa considerar remotamente erótico, Cronenberg conseguiu imprimir uma espécie de pureza gélida e abstrata ao seu tema” (Roger Ebert, 21 mar. 1997).













CINECLUBE DARCY RIBEIRO
Depois de um grande filme, sempre um bom debate
Debatedor convidado: prof. dr. Luiz Augusto Contador Borges

Data: sábado, dia 23 de março de 2013
Hora: 14h
Local: Sala Florestan Fernandes do Casarão (r. General Jardim, 522, próximo à estação República do metrô)




3 de março de 2013

Nossa próxima atração: "Holy Motors", em 9/3/2013


CINECLUBE DARCY RIBEIRO apresenta Holy Motors (Holy Motors, 2012, França/Alemanha, 115 min, cor)
Direção: Leos Carax. Roteiro: Leos Carax. Fotografia: Caroline Champetier. Montagem: Nelly Quettier. Elenco: Dennis Lavant, Edith Scob, Eva Mendes, Kylie Minogue, Michel Piccoli e outros.


Onze personagens em busca de um ator

“Surreal, circular, aberto e indefinido, Holy Motors é um daqueles filmes que provoca reações e interpretações diversas. Em sua construção complexa e contando com a fantástica interpretação de Denis Lavant, intriga o público logo nos primeiros minutos, metalinguísticos e esteticamente perfeitos, e não deixa de fazê-lo por nem um instante sequer. Nem mesmo com os créditos finais que chegam com algumas dicas, mas sem fazer questão de muitos esclarecimentos e subjetivam ao máximo a experiência.

Esta grande ópera sobre o fim da arte no cinema acontece em um dia na vida de Oscar. Em sua limusine branca, acompanhado de sua motorista Céline, vê-se a transformação deste homem em vários outros, com interesses e realidades bem diversas. [...] Entre uma personalidade e outra, dentro da limusine que não para nunca, seu camarim, Oscar se prepara para o próximo compromisso. Como a personificação das muitas máscaras e posturas assumidas no dia a dia por pessoas comuns e, como ofício, por aqueles que atuam.
Essa interpretação da interpretação nunca está restrita e pode ser percebida no roteiro de Carax. Lavant interpreta Oscar que interpreta outros e que interage com pessoas que provavelmente também estejam atuando, não se sabe. Ainda que o diretor e roteirista seja bem preciso ao demonstrar que está falando de sua arte, essa mistura de vida com ficção segue aquilo que o público tem vontade de ver, a história que ele quer que seja contada. E é aí que reside a genialidade da obra. [...]”

Um sentido, não uma solução

“Os poucos minutos de silêncio e a vista da noite parisiense permitem uma volta rápida à memória recente de cada uma das histórias passadas com essa nova percepção. Fazem sentido o público apático da primeira cena e uma espécie única de vida que só acontece nos corredores da sala de projeção; diálogos técnicos e insignificantes; o momento da captação que transforma o que é naturalmente bonito em algo não tão belo assim; a beleza vazia; a simplificação de relações humanas; a violência, entre outros. Mas não existe uma solução [...]

Visualmente perfeito e com uma organicidade ímpar, Holy Motors fala sobre modernidade, vida e criação da melhor maneira que uma obra de arte poderia fazer. Sem tentar guiar, manipular e invadir o espaço que não lhe pertence, mas perturbando e provocando sempre. Vale a pena se perder nesse caminho” (Cecília Barroso, “Cenas de cinema”, 29 nov. 2012).



CINECLUBE DARCY RIBEIRO
Depois de um grande filme, sempre um bom debate

Data: sábado, dia 9 de março de 2013
Hora: 14h
Local: Sala Florestan Fernandes do Casarão (r. General Jardim, 522, próximo à estação República do metrô)

21 de fevereiro de 2013

Sobre “Febre do rato”, de Cláudio Assis: a economia política do erotismo


“Até a anarquia precisa de tradição!”

No seu terceiro longa-metragem, Cláudio Assis consegue equilibrada combinação de recursos cinematográficos e referências narrativas

Para se institucionalizar, a teatral anarquia do comportamento do protagonista Zizo deve aderir à tradição, em busca do fôlego vital, debatendo-se como os ratos que mal conseguem sobrenadar nas águas nos esgotos.
Além de escolher seu alvo preferencial (que é a sociedade burguesa simbolizada pelos edifícios que desenham o skyline da cidade de Recife vista dos rios que a cortam), Zizo precisa calcular o momento politicamente mais incorreto, de modo a ser mais eficaz, para lançar, no rosto do inimigo de classe, seu lúmpen-manifesto, seu discurso condenatório, quase profético. No dia da comemoração mais importante da mais importante das instituições — respectivamente, o Sete de Setembro e a Pátria, com “P” maiúsculo —, o poeta destrambelhado e seu rarefeito grupo de admiradores se livram do pouco que ainda os liga a uma sociedade da qual voluntariamente se colocam á margem.
A Pátria é simbolizada pela violência e pelas fardas de soldados e policiais, em contraste com as roupas paisanas, reduzidas e andrajosas da maior parte dos personagens. Em contraste também com os trajes que Eneida (a amada de Zizo, a Dulcineia inalcançável desse Dom Quixote recifense) usa não de forma marcial, mas para realçar as formas corporais que tanto despertam em Zizo a paixão carnal.
É o clímax do filme — que poderia ter como subtítulo “Vida, obra, paixão e morte do poeta torto Zizo”.

Referências recifenses


Uma das melhores características de Febre do rato é a riqueza de referências e citações.
Uma referência cinematográfica muito evidente é A margem (1967), de Ozualdo Candeias, um dos filmes mais lembrados quando se fala do ciclo do “cinema marginal” paulistano. Junto a um rio Tietê menos poluído que hoje e com a cidade de São Paulo no horizonte cinzento, a câmera inquieta de Candeias passeia sobre um grupo de homens e mulheres que tentam inutilmente compartilhar sua marginalidade, seu não convencionalismo, seu desejo sexual e sua indigência.
Outras referências estão mais diretamente ligadas a Recife, o cenário do filme de Claudio Assis.
Os versos e a oratória escandalosa de Zizo são evidentemente inspirados na vida e na obra do poeta Augusto dos Anjos (1884-1914), paraibano que se formou em Direito no Recife. Foi autor de uma poesia personalíssima, erudita, pessimista, escatológica, que escandalizou e seduziu na sua época (ver, por exemplo, aqui).
Zizo também fala de Josué de Castro (1908-1973), sociólogo e médico recifense, autor dos clássicos Geografia da fome (1946), Geopolítica da fome (1951) e Sete palmos de terra e um caixão (1965). Deputado federal, foi cassado pelo golpe militar de 1964 e, exilado, presidiu o Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). No filme, Zizo resume o “ciclo do caranguejo” descrito por Castro, um circuito alimentar que reúne humanos e crustáceos em mútua degustação nos mangues poluídos de Recife.
Pernambucano de Olinda, o compositor Chico Science (1988-1997) também inspira Zizo e foi inspirado por Josué de Castro, ao criar o movimento Mangue Beat, montar sua banda Nação Zumbi e gravar, em 1994, Da lama ao caos.

A economia política do erotismo


A sempre excepcional fotografia em p&b de Walter Carvalho é o recurso visual adequado à urgência de respostas que a poesia de Zizo exprime.
As perspectivas inusitadas, às vezes a pino sobre a ação, mostram/escondem corpos sensualmente modelados pela luz dura e tropical, constroem espaços amplos, que intensificam a solidão, ou reduzidíssimos, que potencializam a angústia. Tudo, em seguida, combina-se por meio da montagem opaca que não confunde com o ilusionismo fácil e vertiginoso da comédia inspirada nas produções de veiculação televisiva. Pelo contrário: a suavidade cênica e a fluidez de movimentação, no tratamento dado a certas passagens de crueza quase pornográfica, permitem ao espectador uma fruição poeticamente erótica, porque criativa e, ao mesmo tempo, abertas a múltiplas leituras e interpretações. Essa economia política da imagem se repete/se revela na colagem de planos/folhas xerocadas do corpo de Eneida que Zizo reúne como outros tantos versos para erigir o corpo fantasmático de sua amada.
No entanto, quem é o interlocutor da poesia de Zizo? A quem ele interpela, nas ruas sujas, nos quintais pobres e nos porões entulhados que frequenta, com sua corte de marginalizados? Quem ouve, com ele, a cacofonia de ruídos orgânicos e maquinais que sonorizam as pausas e as correrias de Zizo?
Com a palavra, o espectador.
(Frank Ferreira)


FEBRE DO RATO (Cláudio Assis, 2011, Brasil, 110 min)
Direção: Cláudio Assis. Roteiro: Hilton Lacerda. Fotografia: Walter Carvalho. Montagem: Karen Harley. Música: Jorge du Peixe. Elenco: Irandhir Santos, Nanda Costa, Matheus Nachtergaele, Juliano Cazarré, Conceição Camaroti, Maria Gladys, Angela Leal, Mariana Nunes, Victor Araújo, Hugo Gila, Tânia Granussi e outros

DATA: Sábado, 23 de fevereiro de 2013
HORA: 14:00h
LOCAL: R. General Jardim, 522, sala Florestan Fernandes